A Terapia Assistida Por Animais é uma das possibilidades de atuação dentro do campo das Intervenções Assistidas por Animais (IAAs). As IAAs são divididas em três possibilidades de Atuação:
Atividade Assistida por Animais (AAA): Não exige formação. Envolve visitação e recreação através do contato direto com o animal. Propõe uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida através da motivação criada pela presença do animal.
Educação Assistida por Animais (EAA): Similar a intervenção praticada na TAA, mas neste caso seu objetivo está ligado as demandas educacionais, sendo assim, deve ser dirigida por profissionais do âmbito educacional.
Terapia Assistida por Animais (TAA): Possui um objetivo terapêutico de acordo com as demandas do paciente. Envolve profissionais da saúde, onde utilizam o animal como parte de trabalho e tratamento.
O que é Terapia Assistida por Animais?
A TAA é uma técnica que envolve os serviços de profissionais da área da saúde, que utilizam o animal como parte do trabalho e tratamento de pacientes acompanhados por um tutor. A modalidade de TAA não segue o padrão de setting terapêutico convencional, tendo o seu espaço modificado de acordo com a necessidade do paciente, este método surge com uma proposta de modificação de ambiente e o cotidiano do tratamento, isto ocorre devido à participação de um animal no processo terapêutico, visto que os pacientes se sentem reforçados na presença do animal, relacionando o animal a uma figura em que ele pode depositar seus sentimentos; desta forma tornando a terapia um reforçador positivo, esta modalidade de psicoterapia modifica o modelo de clinica psicológica tradicional facilitando ao paciente um melhor aproveitamento da terapia (CHELINI; OTTA, 2016).
A finalidade da TAA é melhorar e desenvolver habilidades físicas, emocionais, sociais e cognitivas daqueles que fazem o uso dessa técnica, o psicólogo como profissional da saúde faz o uso da TAA nos casos onde o vínculo terapêutico possui dificuldade em ser estabelecido, como nos casos de pacientes com dificuldades de comunicação e expressão, ou seja, o psicólogo faz uso da técnica para estabelecer o vínculo terapêutico com o seu paciente (GIUMELLI; SANTOS, 2016).
Para se tornar um animal de intervenção, o animal deve ser acompanhado por um profissional de adestramento e comportamento animal com experiência na área de Intervenções Assistidas por Animais. O processo de treinamento é longo e requer muita atenção do adestrador e de seu futuro condutor nas sessões; ele deve ser avaliado quando filhote, assim como seus pais também devem ser avaliados para garantir o melhor perfil vindo de sua genética; logo após a avaliação e seleção ele passará pela fase inicial de treinos, socialização e dessensibilização para ser avaliado novamente e depois iniciar suas atividades.
O treinamento do animal é constante, toda atividade que será realizada na sessão deve ser trabalhada com o animal previamente e dessensibilizada para visar o bem estar do animal, assim como apresentar a ele o trabalho de uma forma positiva. Atualmente a espécie mais utilizada para o trabalho nas IAAs é o cachorro, pelo vínculo que ele desenvolve com os humanos, sua capacidade de expressar sentimentos e sua treinabilidade. Outras espécies também são utilizadas nas intervenções, as mais utilizadas são coelhos, tartarugas e aves. Porém, segundo a IAHAIO (International Association of Human-Animal Interaction Organizations) e AAII (Animal Assisted Intervention Internacional) não são reconhecidas em suas diretrizes a utilização de outras espécies além dos cães devido à ausência de pesquisas na área.
Quais são os benefícios da TAA?
A interação de pessoas e animais pode trazer inúmeros benefícios, auxiliar no desenvolvimento de diversas habilidades sociais, emocionais e cognitivas.
Dessa forma, a interação quando crianças, contribui na formação de adultos mais responsáveis, empáticos e emocionalmente estáveis.
Os animais promovem companhia, entretenimento e oportunidades para a criança se tornar mais responsável através dos cuidados com o animal, além de ser um grande catalisador social.
Pesquisas apontam que o contato físico com os animais alcança respostas fisiológicas como a redução da pressão arterial e dos batimentos cardíacos.
Nota-se o aumento da ocitocina, endorfina e dopamina, chegando a redução de estresse, agitação e o aumento da calma, afetividade, atenção e disposição/motivação.
Crianças que convivem com animais tendem a ser mais sociáveis e apresentarem melhor relação com seus familiares e amigos.
Quanto aos benefícios cognitivos, estimula a memória, concentração e atenção, reduz a depressão, favorece a percepção da realidade, a cooperação e habilidade em resolver problemas, estimula a linguagem, flexibilidade cognitiva.
Uma série de estudos demonstram melhoras nos comportamentos de pacientes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) quando especialmente o cão é incluídos nas sessões e atividades terapêuticas.
Quando incentivamos as pessoas a se relacionarem com os animais, estamos tornando possível o início de uma comunicação verbal, gestual ou perceptível ao olhar.
O animal é o agente facilitador da terapia, ele pode ser considerado a ligação entre o terapeuta e o paciente, entre o tratamento proposto e o paciente. Ele é considerado um catalisador, ele atrai, modifica e faz a conexão entre o paciente e o profissional.
Quem pode se beneficiar da TAA?
Diversos públicos podem se beneficiar da Terapia Assistida por Animais.
As intervenções assistidas por animais podem auxiliar no tratamento de diversas patologias e transtornos, independente da idade do assistido.
As intervenções mais conhecidas estão relacionadas a idosos, pessoas hospitalizadas, crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Dislexia, dificuldade de Aprendizagem, Depressão e Ansiedade.
Existe alguma contra indicação?
Algumas crianças apresentam uma reação de agitação e evitação na presença do animal, o que pode estar relacionado a medo, hipersensibilidade aos sons dos latidos, cheiro ou as texturas do pelo do cão.
Nesses casos o terapeuta precisa estar atento para analisar as características individuais do paciente antes de definir se de fato a Terapia Assistida por Animais (TAA) é a abordagem mais adequada e se trará benefícios para esse paciente.